Pimenta Neves é transferido para delegacia no Bom Retiro

O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, 74, foi transferido para o 2º Distrito Policial do bairro Bom Retiro (centro de SP) por volta das 23h30 desta terça-feira, onde deve passar a noite. Ainda não há informações para qual presídio ele cumprirá a pena.

Pimenta Neves é assassino confesso da ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, há 11 anos. Ele chegou ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), no centro de São Paulo, às 20h19 de ontem. Ele fez exame de corpo de delito na própria delegacia, antes de ser transferido.

O jornalista demonstrou tranquilidade ao chegar à delegacia, mesmo estando cercado de dezenas de jornalistas. ‘Eu estava esperando’, afirmou à Globonews.

Policiais civis da Divisão de Capturas cercaram a casa do jornalista –na Chácara Santo Antônio, na zona sul de São Paulo– por volta das 18h30, após o STF (Supremo Tribunal Federal) negar, por unanimidade, o último recurso dele e determinar sua prisão imediata.

Condenado pela morte da ex-namorada, Pimenta Neves foi convencido pelos policiais a se entregar. Ele saiu de sua casa –também demonstrando bastante tranquilidade– por volta das 20h, após a polícia aguardar que ele pegasse algumas roupas e seus remédios. Cerca de 30 pessoas acompanharam a prisão na rua. Algumas bateram palmas e outras gritaram ‘assassino’.

O CASO

Sandra foi morta em 2000, em um haras, com dois tiros –um nas costas e outro na cabeça– disparados pelo ex-namorado, que foi diretor de Redação do jornal “O Estado de S.Paulo”.





Quase 11 anos depois de cometer o crime, Pimenta Neves estava solto graças a diversos recursos propostos por sua defesa em diversos tribunais.

“É chegado o momento de cumprir a pena”, afirmou o ministro Celso de Mello, relator do recurso do jornalista, que contestava a condenação. “Esta não é a primeira vez que eu julgo recursos interpostos pela parte ora agravante, e isto tem sido uma constante, desde o ano de 2000. Eu entendo que realmente se impõe a imediata execução da pena, uma vez que não se pode falar em comprometimento da plenitude do direito de defesa, que se exerceu de maneira ampla, extensa e intensa”.

A ministra Ellen Gracie chegou a dizer que o caso Pimenta Neves era um dos delitos mais difíceis de se explicar no exterior. “Como justificar que, num delito cometido em 2000, até hoje não cumpre pena o acusado?”, afirmou, dizendo que a quantidade de recursos apresentados pela defesa do jornalista era um “exagero”.

Neves não terá qualquer benefício por ter mais de 70 anos. Caso o jornalista consiga comprovar que tem algum problema de saúde, porém, ele poderá conseguir benefícios, como, por exemplo, a prisão domiciliar, mas isso não caberá ao STF decidir.

A Folha entrou em contato com o escritório de sua advogada, Maria José da Costa Ferreira, mas foi informada que ela está participando de reunião em Campinas (SP) e voltará no final da tarde. A reportagem deixou recado, mas não recebeu qualquer resposta até o momento.

Fonte: Folha.com





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