Despejo do clube Tietê no Bom Retiro deixa faculdade e escola sem luz

O despejo do tradicional Clube de Regatas Tietê, de 105 anos, deixou por volta de 1.700 estudantes sem aula pelo menos até segunda-feira.

A escola de ensino fundamental Aldo Baroncelli, que é particular e tem 170 alunos, e a Faculdade Zumbi dos Palmares, com seus mais de 1.500 estudantes, estão sem luz e água.

Oficiais de Justiça concluíram ontem a reintegração de posse do terreno do clube, pedida pela Prefeitura municipal de São Paulo. O estabelecimento tem R$ 25 milhões em dívidas.

Como a luz do local acabou sendo desligada, e as duas instituições de ensino funcionam na mesma área -e têm a mesma entrada de energia elétrica-, tudo ficou no escuro.

A falta de água também está relacionada à ordem de despejo. A escola e a faculdade são abastecidas por meio de poços artesianos. A partir deles, bombas levam a água até as caixas d’água, que fazem a distribuição para todas as torneiras.

Como o Clube de Regatas Tietê está extinto, a empresa dona das bombas está retirando os equipamentos do local. Ela ainda quer receber uma dívida de quase R$ 5 mil.

Ontem, a questão da água foi parcialmente resolvida com o abastecimento por meio de caminhões-pipa. A solução para a falta de energia, porém, deve demorar mais.





“A saída agora é tentar operar com um gerador, pelo menos até o fim do período letivo”, diz Miriam Torres, diretora da escola infantil.

“A prefeitura é que deveria ter se responsabilizado por isso. Afinal, foi ela quem criou esse problema. Nunca faltou água ou luz aqui”, afirma a diretora da escola.

Criada pelo próprio Tietê, a Aldo Baroncelli existe há 55 anos. Hoje, o colégio é administrado por terceiros. Muitos sócios do clube estudaram na instituição.

O reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente, diz que a direção da faculdade também tenta reverter o quanto antes a suspensão das aulas.

Para Vicente, além do gerador, a solução pode passar pelo restabelecimento da energia do próprio clube.

Tanto a Zumbi dos Palmares quanto a escola infantil estão garantidas no terreno do Tietê até 2013, segundo a determinação a Justiça.

PROTESTO

Enquanto a situação dos estudantes das duas instituições de ensino pode voltar ao normal na segunda-feira, caso a luz seja restabelecida, a de 40 crianças atletas é bem mais complicada.

“Desde ontem suspendemos em definitivo as atividades aqui no clube”, diz Antônio Carlos Navarenho, professor do departamento de ginástica artística do Tietê.

De acordo com ele, o caminho, agora, é tentar encontrar um outro local em que as crianças possam treinar. “Ficamos com todos os equipamentos. O que precisamos mesmo é de um espaço.”

Fonte: Folha On Line





Deixe seu comentário